Festa Coopen 15 anos

Crônicas dos Pais

NEM TUDO QUE CAI NA REDE É PEIXE

Era 27 de Dezembro de 2004. O mar não estava para peixe. Mas, aquele era um dia de bonança. Então, resolvi conhecer a tão famosa escola que havia sido muito indicada para colocar meu trio de filhotes. Também não queria entrar no ano novo sem saber onde eles iriam estudar. Não havia encontrado ainda meu aquário... E se não conseguisse, seria como “morrer na praia”.
Enfim, chegamos eu e meus filhotes. Fomos recebidos por uma simpática mulher que nos acolheu. Só havia ela por ali. Ou melhor, ela e uma porção de seres do fundo do mar: tubarões, tartarugas, baleias... Não sei se tinha polvo, cavalo marinho e peixe-espada, mas juro que vi todos eles e ainda em festa com a Iemanjá, a Pequena Sereia e o Capitão Gancho.
A mulher tinha o nome de Márcia. Mostrou-nos a escola como se mostrasse sua própria casa. Dava para sentir o cheiro do café com pão de queijo e bolo saindo da cozinha fechada. Podia ouvir perfeitamente o som dos escravos de Jô com as pedrinhas de brita batendo no chão e ainda a algazarra das gangorras. Meu coração pulava de alegria e de medo, imaginando as crianças subindo nas jabuticabeiras. Sou canceriana e imagine só, chegar numa escola que mais parecia casa de avó, cheia de aconchego simples. Ah! Lembrei-me da sala em que meu caçula iria estudar. Tinha uma casinha montada com bonecas vestidas com roupas costuradas pelas próprias crianças e pela professora fada. Enlouqueci! Minha cabeça começou a ferver. Não sei se você sabe, caranguejo é o símbolo dos cancerianos e é na água fervente que nos jogam quando querem nos papar. Eu nada dizia. Só ouvia. Sentia. A Márcia jogava a rede... caiu, é peixe!
Finalmente, uma sala refrescante: meu aquário de água salgada!  Ali, em meio aos meus semelhantes, pude finalmente confirmar: era naquela biodiversidade exuberante que meu trio ia estudar, pois filho de caranguejo, peixinho é. Busquei correndo o dinheiro para garantir a vaga. Assinei as promissórias do mergulho. Finalmente eles já fariam parte do cardume.
Alguns ainda estão aí. A peixona maior já nadou para outros mares. Mas, hoje todos nós cantamos todo o repertório das sereias, conversamos como os golfinhos e pesquisamos o mistério do Triângulo das Bermudas. E eu, só consigo cantar assim:
 “Olha palma, palma, palma!
Olha pé, pé, pé!
Olha roda, roda, roda,
Caranguejo Coopen é!”

Autor: Horozita Magalhães
Tel.: 96776579 / 33245567 / 32967903

 

PORQUÊ  VALE A PENA ESTAR NA COOPEN

Com as experiências escolares dos nossos filhos acabamos fatalmente revisitando  nossas  experiências e revitalizando nossas mais doces lembranças dos nossos primeiros passos na escola.
Do meu Jardim de Infância lembro-me de um quadro na parede, onde o Anjo da Guarda acompanha duas crianças atravessando uma ponte; do cheirinho da massinha plástica; da sonequinha que tirávamos com a cabecinha em cima dos braços, recostados na mesinha da carteira; do dia em que minha pasta escolar (hoje substituída pelas mochilas temáticas) que era de papelão se molhou e se desfez;  do nome da professora que era D. Carminha e só.
Do Grupo Escolar não me esqueço nunca do primeiro dia de aula, em que fiquei amedrontada em meio a tanta criança e me sentindo minúscula no final de uma fila indiana que foi formada e separada por turmas, com as respectivas professoras lá em cima do corredor das salas e nós crianças lá embaixo no pátio que era num nível mais baixo.
Hoje, quando chegou a hora de escolher uma escola pra nossa filha, eu meu marido vivemos um impasse, queríamos  uma escola onde pudéssemos ficar até ela se formar, e onde pudesse criar um vínculo com colegas que se viessem a se tornar seus amigos quiçá para toda a vida.
Quando soubemos da Escola da Coopen fizemos um primeiro contato e,  de cara gostamos do espaço, com as salinhas cada uma de uma cor, das quadras, dos brinquedos no fundo, das jaboticabeiras,  da pessoa que nos recebeu, D. Márcia, super inteirada de tudo e muito simpática.  A professorinha linda e um doce, os futuros coleguinhas  com aquelas carinhas curiosas. E já estava escolhida a escola,  sem nem mesmo entender direito o que a coordenadora pedagógica explicara sobre os tais  “projetos” e um tanto de outras coisas sobre “cooperativa”.
E, naquele  tão esperado primeiro de aulas,  ela desceu do carro do pai com um jeito de caminhar diferente, toda empinadinha, feliz da vida, dizendo a todos que encontrava, que “estava indo para a escola onde ia aprender a ler e escrever”. É, porque o Jardim de Infância onde ela freqüentava prezava por introduzir as crianças nas letras apenas depois dos 07 anos de idade e ela ainda estava com 05 anos e meio. Quando cheguei para buscá-la  no final da tarde, ela não queria ir embora de jeito nenhum. Eu fiquei lá  esperando até que a última criança fosse embora para irmos  também, e assim foi por muito tempo, éramos as últimas a sair da escola.
Assim, também fui aprendendo a conhecer e a gostar da escola. Para entender sobre o  que era a cooperativa, passei a freqüentar as reuniões das Assembléias, pois não entendi bulufas do que me deram para ler sobre a cooperativa.  E sobre os tais projetos, aah os projetos...
Ela, minha filha, foi passar uma tarde com a tia, e qual não foi minha surpresa quando a tia me  conta, toda orgulhosa,   de  como minha filha, ao ver uma foto da Europa, começou a discursar sobre os Jardins de Monet e a explicar pra tia sobre detalhes da vida do pintor e sobre o projeto que estavam desenvolvendo,  sobre umas flores de uma certa exposição, num certo Shopping da cidade e que fizeram muitos desenhos de flores também. Sensacional não? Tava aí o resultado do seu primeiro projeto desenvolvido na Escola COOpen, e hoje, depois dos muitos projetos que foram e são desenvolvidos, vejo aumentar meus conhecimentos gerais sobre os mais diversos assuntos. 
Aprendi muito sobre dinossauros, índios, sobre a  Estrada Real, e muitas curiosidades acerca de formigas.  Isso mesmo, Formigas sim senhor, soube  sobre o acasalamento, sobre a organização das galerias, sobre as ninfas, mandíbulas, espécies,   e por aí vai ...
Então os tais projetos dão pano pra manga para a criançada aprender, de uma forma prazerosa e muito rica, sobre diversos outros assuntos relacionados ao tema  que é escolhido entre elas de uma forma bem democrática nas assembléias e rodas de discussões, onde as crianças discutem sobre os conflitos do dia a dia e sobre tudo que farão.
Cada criança dá a sua idéia do que deseja pesquisar e com um fundamento do porquê quer estudar sobre determinado assunto. E vai-se fazendo um denominador comum nos temas mais afins até chegarem a uma definição do tema. 
Quanta diferença, quanta evolução na prática do ensino,  enquanto eu, há 42 anos atrás, estava lá no meu Grupo Escolar, com minha cartilha, e meus “palhaço, palito, pedrito” ,  “eu não posso derrubar a casa”, “essa bola é minha”, “minha bola é azul” e encolhida numa carteira com medo da professora, hoje as crianças tem a oportunidade de exercer a Pedagogia do Diálogo. Não e maravilhoso isso?
Nós pais recebemos um Manual de Convivências da Escola,   onde se explica sobre a estrutura, as normas e a realidade das experiências cotidianas da escola e nele se explica também sobre essa competente proposta pedagógica baseada no diálogo, onde surgem questões de várias ordens.
As festas tradicionais, de páscoa, junina, festa da família, exposição de trabalhos elaborados durante o ano na  Feira de Ciência e Outros Saberes, o Almanaque da Coopen-BH, as excursões que enriquecem as propostas de trabalho e as vivências sócio-culturais dos alunos, as Caixas de Memórias, os Portifólios, Cds gravados,  Jornal Travessia, Feria de trocas e muitas atividades que são desenvolvidas e não cabem aqui,  fazem todo um diferencial, na história de vida dessas crianças.
Chega a ser injusta a comparação entre esse modelo de Escola que é a Coopen e o modelo experimentado por nós pais. Enquanto naquela época os nossos pais mal sabiam o que acontecia com os filhos na escola (não me lembro da minha mãe preocupada com os meus “para casa”), hoje, na Coopen, as reuniões pedagógicas acontecem no início e fim dos semestres letivos, além das reuniões individuais com os pais.
E, o mais interessante é que, como sendo uma cooperativa, nós  pais somos parceiros do Projeto Pedagógico.
Através do cooperativismo podemos participar ativamente do processo administrativo e estarmos integrados ao cotidiano de nosso filho na escola, conseguindo aliar um ensino de qualidade a um preço justo, pois não temos fins lucrativos.  As decisões de interesse geral são tomadas por um grupo de cooperados, nas Assembléias Gerais, que acontecem regularmente.
Ah, se eu pudesse ser criança novamente e pudesse estudar na COOpen...

Káká
Tel.: 9686.7684 / 3461.0916

 

A CRÔNICA

Quando Seu Herculano, pai de uma aluna da Nepooc (Colégio Neosaldina Pontes Orientação Curricular) recebeu em seu e-mail o convite para participar de um concurso de crônicas, em comemoração aos 15 anos desta renomada instituição, ele ficou eufórico. Afinal, escrever sempre foi sua paixão, ainda que não houvesse jamais publicado qualquer de seus textos, seja por timidez ou simples falta de oportunidade. 
Mas este convite era diferente.  Vinha do colégio da Aleonam - sua filha, a qual imediatamente o ligou para perguntar-lhe se havia recebido tal convite. Coincidentemente, uma semana antes do convite, Aleonam, que não é lá muito estudiosa, lhe havia mostrado alguns de seus escritos, os quais ele se quer sabia de sua existência. Ficou encantado com o seu talento e, imediatamente, imaginou Aleonam já adulta participando de colóquios e rodas literárias, dando autógrafos e escrevendo dedicatórias na primeira página das centenas de exemplares de seu último romance, em plena Galeria Ouvidor.
Seu Herculano estava decidido a escrever esta crônica, não por vaidade própria, mas por orgulho de pai mesmo! O Colégio lhe dava, naquele momento, a oportunidade de incentivar sua filha a tomar gosto de vez pela escrita e, quem sabe um dia, se tornar uma grande escritora, como havia sido seu falecido tio-avô Carlos.
Entretanto, como bom brasileiro, Seu Herculano foi deixando os dias passarem e, no dia 30 de novembro, penúltimo dia para a entrega da crônica, esta ainda não havia sido escrita, mas as idéia borbulhavam.
No dia 1º de dezembro, Seu Herculano acordou cedo, aliás, mal dormiu a noite pela ansiedade de colocar no papel a sua estória. Mas, como iria fazer para escrever a crônica em plena 2ª feira e ainda trabalhar o dia todo, com o seu chefe na sua cola? Seu Herculano treinou sua voz de “gripado rouco com febre” em seu melhor estilo e ligou para a secretária avisando, quase que de forma inaudível, que não tinha condições físicas de ir ao trabalho. Primeiro passo dado e agora, mãos a obra!
Seu Herculano se encontra sentado em frente ao computador, “plugado” em uma rádio de jazz estadunidense (é assim que melhor se inspira), recapitulando o brainstorm das suas idéias da noite anterior mal dormida, para escrever a crônica.  São 20 horas e a crônica está finalmente escrita e revisada. Foi um dia desgastante, afinal, não foram poucos os detalhes para que ela saísse a contento, sem falar das inúmeras interrupções telefônicas e a maldita serra elétrica da construção ao lado que insistia em tirar-lhe a concentração.  Não faltaram ainda preocupações com a própria escolha das palavras e estilo.
Seu Herculano prepara-se para enviar a crônica por e-mail, seguindo as instruções do concurso, mas antes resolve ligar para a sua namorada e ler em voz alta, tanto para sentir a sonoridade de sua obra, como para receber sugestões e críticas e, por que não, impressioná-la com o seu lado sensível de escritor que tanto as mulheres admiram nos homens!
São 21 horas e agora é só “clicar” e pronto. Um, dois, três e BUM! Um raio acaba de cair sobre uma árvore que, por sua vez, cai sobre a fiação elétrica e a música pára... O silêncio e a escuridão tomam conta do quarto, da casa, do bairro, do seu estado de espírito. Tanto esforço em vão! São 22 horas e trinta minutos e a energia volta. Seu Herculano espera com os olhos fixos na tela os mais longos minutos até que seu já fatigado computador restabeleça as conexões de rede para que possa, então, enviar sua crônica. Sua filha liga e pergunta: “Pai, você já enviou a crônica”?
Herculano desconversa, diz que a campainha acaba de tocar e que ligará de volta em breve. Desliga seu celular e começa a suar frio a ponto de pingar gotas de suor no teclado.
Restabelecidas as conexões, Seu Herculano percebe que o modem não funciona! O raio o havia queimado. Resolve, então, copiar a crônica em seu pen drive e levá-lo a uma LAN House a fim de enviá-lo de uma vez por todas. Entretanto, lembra-se de que o endereço eletrônico para o envio da crônica só está disponível ao conectar-se na Internet - o que não é possível sem um modem funcionando. Resolve ligar para a Nepooc em uma tentativa desesperada de encontrar alguém que lhe possa informar o e-mail a ser enviado, mas o telefone é atendido por uma secretária eletrônica que diz: “Você ligou para a Nepooc. No momento não... Após o sinal...“.
Seu Herculano se desespera. O seu tom normalmente sereno dá lugar a um grito prolongado seguido de uma série de palavrões em inglês (tinha o hábito de xingar nesta língua quando submetido a stress) como se estivesse expurgando naquele momento qualquer tipo de urucubaca contra ele. Sente ainda vontade de fazer como um conhecido político mineiro que, quando candidato a Governador do Estado e, ao tomar conhecimento do resultado de uma pesquisa de boca de urna a qual dava vitória ao outro candidato, resolve destruir o computador que estava à sua frente. Mas seu Herculano, após o catártico grito seguido dos palavrões do Tio Sam, se acalma. Pelo menos o suficiente para pensar em como solucionar o problema, sem destruir nada.
São 23 horas e o prazo de entrega é até às 24 horas do dia 1º. Seu Herculano acaba de ter a idéia de imprimir a crônica e levá-la pessoalmente à Escola. Certamente os organizadores do evento irão compreender seu drama, quando tiver a oportunidade de escrever-lhes explicando os sucessivos infortúnios que o levou a entregar a crônica em mídia impressa e não eletrônica. Afinal, o Nepooc é um colégio que sempre privilegiou o conteúdo à forma e que sempre ensinou aos seus alunos o respeito às diferenças. E viva a diferença! A crônica do Seu Herculano será impressa.
Mas o tempo é curto e, para piorar, a impressão na impressora “jato de tinta” faz aquele “inheco-inheco” pra lá e pra cá levando Seu Herculano à loucura. Suas mãos seguram a segunda e última folha da crônica, esperando o momento final da impressão, como se fosse um piloto de Fórmula 1 que mantém o motor do carro em alto giro, só aguardando a luz verde, para dar a partida. Era, de fato, o começo de uma corrida de recuperação. Seu Herculano desce correndo às escadas do prédio, entra em seu Palio – lamenta o fato de não ser uma Ferrari – e sai em disparada. Percebe que está com pouca gasolina e pára em um posto. O Frentista demora horrores. “Quer conferir o óleo, doutor?”
Coloca 10 reais - o suficiente para chegar à Nepooc, e resolve ir pela Avenida Cristiano Machado, geralmente livre neste horário. Como se não bastasse, a Prefeitura realiza, naquele momento, obras de “recapeamento” da Avenida para não atrapalhar o trânsito nos horários em que as pessoas mais precisam! São 23 horas e 45 minutos. Homens trabalhando. Desvio à direita. Aguarde sua vez. Fim das obras a 100 metros. Pé em baixo de novo! Olha pra direita, olha pra esquerda. Não tem guarda de trânsito. Go! go! go! 
São 23 horas e cinqüenta e cinco minutos e seu Herculano liga para a escola e a secretária eletrônica atende novamente: “Após o sinal...”. Seu Herculano deixa a seguinte mensagem: “É ainda dia 1º e acabo de deslizar por debaixo da porta da Nepooc a crônica impressa. Assinado: Pseudônimo. Explico depois do concurso. Grato”.
No dia seguinte, Aleonam liga:
- Pai, você enviou a crônica no prazo, né?
- É claro, filha! Não sou eu que sempre te digo para fazer as coisas importantes com antecedência? Como poderia perder o Prazo?!
           
Autor: Alleracsoc Edardna Emrehliug
Tel.: 9993.4823

 

 

DUZENTOS E CINQUENTA QUILÔMETROS PARA CHEGAR À COOPEN (E MAIS ALGUNS PASSOS...) OU COMO CHEGUEI DE LAVRAS À RUA MONTES CLAROS...

Quando tinha nove anos, mudei para o Bairro Carmo. A Rua Montes Claros é uma velha conhecida... Primeiro, meu caminho para o colégio durante a adolescência. Depois, continuei pela rua passando, para pegar o ônibus que me levava para a Faculdade. Nossa... Essa história tem uns vinte anos!
Depois de formada e casada, fui para o interior de Minas. “Rodei um bocadinho”... Mas continuei pedestre na Rua Montes Claros, por onde sempre passava quando vinha visitar meus pais.
Em uma dessas caminhadas, observei que no número 377, havia uma escola.
E me surpreendi, nas vezes que passava em frentre, com a questão: “Que escola é essa?”
Pergunta que se aventurava na minha cabeça apenas quando passava naquele endereço, pois como não tinha filhos, aquele pensamento logo se desvanecia.
Pois é... Do bairro onde morei por quinze anos, fui para a cidade de Uberlândia, depois Uberaba, (nasceu o primôgenito...), Ipatinga, Lavras, (nasceu o caçula).
Nesta cidade, pela primeira vez me deparei com uma das dúvidas maternas: que escola escolher para meu primeiro filho? Escolha difícil, mas feliz; a escola era “tudo de bom”...
Quando precisei voltar para Belo Horizonte, de novo, essa questão: que escola escolher? O caçula já havia nascido e apesar de bebê, essa decisão já levava em conta meus dois “bambinos”. Que aperto no coração! Eu e o pai éramos apaixonados pela escola de Lavras! Que angústia quando comunicamos que haveríamos de nos mudar... A Diretora, sempre atenciosa, deu algumas sugestões. Essa referência eu não tinha; quando saí de Belo Horizonte, eu não era mãe! Como pretendia morar no Bairro Carmo, a Diretora da escola de Lavras deu referência de uma escola muito boa na Rua Montes Claros, uma Cooperativa onde a filha dela havia feito um estágio: “eles têm um trabalho muito parecido com o nosso aqui, é a que eu indico!”
Ah... Lá estava eu de novo (mas diferente), na Rua Montes Claros! Queria uma escola acolhedora, amiga como a que eu havia experienciado no interior. Nada de grandes escolas. Almejava preservar para meu filho mais velho e depois favorecer para meu caçula, um ambiente intimista, onde todos se conhecessem e a  vida escolar pudesse transcorrer prazerosa...
Entrei no número 377. Antes mesmo de conversar com alguém, adorei! O pátio, as jabuticabeiras, um pedaço de aconchego na loucura da cidade grande! Fui a mais duas escolas na região. Não precisei procurar mais. Não tive dúvidas (essas tão comuns quando se é mãe...). O contato com a equipe pedagógica só serviu para reforçar a escolha! Ui... Que alívio, enfim a saída de Lavras tinha suavizado um pouco!
Bom de lá para cá, já se vão cinco anos... E esta história, eu não preciso contar...
Continuo caminhando na Rua Montes Claros... Mas se alguém me perguntar:
“Que escola é essa?”, eu sei responder, ah sei... Porque você não entra para ver? 
A Coopen é “tudo de bom”! É a escola dos meus filhos! É a escolha de uma educação de qualidade e feliz!
Ufa! Que tantão que eu andei para chegar até aqui...
Tão longe e tão perto, as voltas que a vida dá!
 
Autor: Mãe Apaixonada

Tel.: 32645010 / 87385010
   

EU E A COOPEN

Entrei na Coopen pela primeira vez há mais de nove anos. Era junho de 1999, fazia frio, e eu e minha filha de pouco mais de um ano saímos para conhecê-la. Eu estava há muito tempo em casa, só sendo mãe, e procurava uma escola para dividir comigo a tarefa. Mas eu não queria uma escola qualquer, era preciso que fosse um lugar especial onde eu pudesse deixar minha filha e esquecê-la, sem preocupações.
Quando entrei na Coopen, imediatamente percebi que tinha encontrado o que procurava. Gostei de tudo: do espaço externo, amplo sem ser grande demais, das árvores, da terra (que já não esta lá), das pessoas que me receberam, da sala de aula. Entramos na salinha do Infantil 1 e me encantei com o espaço simples e alegre, com brinquedos à vista em estantes ao redor da sala; era como a minha casa. A professora nos recebeu e nos apresentou às quatro crianças que desenhavam sentadas juntas em uma mesinha, enquanto escutavam música.
Depois de algum tempo voltei à escola para conversar com a coordenadora e confirmar minha intenção de matricular minha menina no outro ano. Nesta época, eu já esperava minha segunda filha. Durante a conversa pude confirmar o que já intuía: aquela era a escola que eu procurava. A simplicidade do local se refletia também numa simplicidade de conduta com as crianças, ainda que resguardada por uma sofisticada compreensão pedagógica. Percebi que ali a infância era preservada e o afeto podia circular sem pudor. Minha menina poderia crescer sem pressa e sem sustos e a escola seria uma continuidade da minha casa.
Agora, tanto tempo depois, vejo que minhas impressões se confirmaram. Minhas duas filhas ainda não conheceram outra escola. Nunca tivemos um problema sério, seja pedagógico ou de relacionamento. Nunca tive dúvidas sobre permanecer na escola. Algumas vezes a falta de dúvidas é sinal de pouca inteligência. No meu caso, acho que tem sido apenas sinal de uma convivência feliz. A cada ano, a cada professora, a cada experiência nova, e mesmo a cada pequeno problema, permanece sempre o sentimento de estar no lugar certo.
Não tenho estórias incríveis para contar. Tenho só essa convivência duradoura que se faz dos momentos do dia-a-dia; só o cotidiano rico que nos alimenta com cuidado, conhecimento e diversão. Tenho a memória aquecida pelo acolhimento carinhoso de minhas meninas em seus primeiros dias de aula, quando eram ainda quase bebês. A memória das festas em que elas sempre se sentiram em casa, seguras de seu espaço. A segurança diante dos momentos mais exigentes, como a entrada na primeira série. A certeza de contar com alguém para conversar quando precisasse. A confiança no trabalho realizado na sala de aula. A alegria de saber que a escola é também o local da brincadeira e da amizade.
Tenho principalmente o sentimento de que o espaço desta escola é meu também e que, portanto, tudo de bom ou de ruim que acontecer nele é algo que me diz respeito, que chama por minha responsabilidade. Assim, criticar ou elogiar são posturas que se dirigem à escola, mas também a mim como co-participante desta aventura que é a Coopen. Foi assim que sempre me senti chamada a participar dos trabalhos da escola, mesmo frente a problemas muito difíceis. Entender a Coopen como uma cooperativa não é para mim uma abstração; é uma realidade concreta da qual me orgulho; é uma posição política na sociedade moralmente tortuosa em que vivemos.
Eu e a Coopen temos então um caso que é amoroso, mas que é também uma parceria de várias faces: parceria na educação das minhas filhas; parceria intelectual porque me instiga o pensamento; parceria de trabalho porque me chama à participação concreta. E é, sobretudo, uma relação que me propicia a certeza de pertencer a um espaço que é também um projeto e uma visão de mundo. Eu sou parte da Coopen, e isso faz minha vida mais rica.

Autor: Oscar

 

UMA ESCOLHA

Foi uma tarde quente de Outubro quando tudo aconteceu.
Nós estávamos meio esperançosos; eu acho que também ansiosos, era como o 1º encontro.
Será que vamos gostar?
A 1ª impressão foi mais ou menos, um muro verde, um portãozinho de ferro fechado. Não dava para olhar lá dentro.
Tocamos a campainha, esperamos um pouco e uma moça sorridente apareceu.
Viemos conhecer a escola, eu disse. Todo mundo diz: “A 1ª impressão é a que fica”, eu tenho as minhas dúvidas.
Quando o portão abriu, vimos uma quadra, uma casa, uma varanda bem antiga daquelas do tempo da minha avó, umas 04 ou 05 meninas estavam sentadas no murinho da varanda, olharam para nós e sorriram para o meu filho; ele gostou e eu fingi que não vi.
Vou te mostrar a escola, disse a moça; e fomos descendo, vendo as salas, a cantina e como estava muito calor, um sol de rachar, ela me convidou para conversarmos debaixo da jabuticabeira.
Para dizer a verdade, eu não me lembro muito bem do que ela disse sobre cooperados, merenda, mensalidades; eu só observava: micos, tartarugas, coelhos, flores, horta, balanços, areia, jabuticabas, era um quintal perfeito e era em uma escola; nisto escutei meu filho conversando com algumas crianças e dizendo: “Ano que vem eu vou para o 5º ano e vamos ser da mesma sala”.
Eu às vezes acho que esse não é o jeito certo de escolher uma escola para os filhos; só com o coração! Mas tem um jeito melhor?! Pois sempre acertei!
Este foi o 1º encontro que virou um caso de amor que dura até hoje.

Autor: Dadiva
Tel.: 3047-6961

 

PAIS DESAFINADOS NA FESTA DA FAMÍLIA

Chegou um convite em casa: “Festa da família 2008. Aos pais que queiram realizar algum tipo de apresentação, seja uma música, uma dança ou uma poesia, inscrevam-se com a gente até a data Xis. Venham comemorar com a família COOPEN este dia tão especial.”
Vamos participar? Vamos. Eu toco violão e você canta. Temos que ensaiar. Muitos pais e professores estarão lá. Podem ser três músicas. Três músicas é pouco. Podem ser seis músicas. Seis músicas é muito. Vamos ensaiar. Música popular? Pode ser! Música infantil? Pode ser! Música em inglês? Acho que não. Vamos tocar estas cinco músicas. Combinado!
O dia chegou. Muitas mesas brancas espalhadas por toda a quadra. Muitos pais, professores e funcionários. Crianças brincando. Não resisti. Peguei a máquina fotográfica e tirei uma fotografia. Uma bela foto.
Somos os primeiros pais a nos apresentar. Esqueci a bateria do violão. Como pude esquecer! Outro pai tocador de violão me empresta uma bateria na última hora. Que pai bacana! Agora vai. Com o violão afinado e os microfones ajustados, iniciei:
- Bom dia! Somos os pais desafinados. Esta foi a forma que encontramos para participar desta festa. Selecionamos algumas músicas que fizeram parte de momentos da nossa vida. Espero que gostem.
Pronto. Tudo que escrevi até agora foi para chegar neste momento que considero mágico e que eu gostaria de compartilhar com quem esteja lendo este texto.
Eu estava tenso mas lembro que olhei nos olhos de muita gente. E muitos destes olhos me diziam que valia a pena fazer aquilo, principalmente porque era para os nossos filhos. Quando cantei encima da primeira nota musical, já havia pais cantando juntos, funcionários batendo palmas e crianças dançando. Aí eu me soltei. Desafinamos, erramos acordes, quase deixei o violão cair. Mas eu estava relaxado. E foi então que pude guardar diversas reações: 
Vi uma mãe falando com um pai: “É a nossa música! É a nossa música”! Vi um filho dizendo: “Papai, quero um violão”. Pude perceber uma professora sorrindo e querendo dizer: “Ihhh...nesta música vocês desafinaram muito”. Vi um pai pedindo: “Palmas, palmas, palmas”! Vi uma mãe abraçada ao filho e os dois sentados na quadra ouvindo os pais desafinados cantarem.
Antes da apresentação terminar, vi uma das minhas filhas brincando e correndo pela quadra. E quando ela nos viu cantando, sem entender direito, ela parou de correr, veio caminhando em nossa direção e sentou na quadra à nossa frente. Seus olhos brilharam e, como ela não sabia se expressar, eu fiquei curioso imaginando o que ela estava querendo dizer com aquele olhar.
Passaram-se meses. Com a ajuda da família, de seus professores maravilhosos e dos seus coleguinhas fantásticos, ela aprendeu a falar. E eu fiquei esperando um novo momento em que ela mostraria aquele mesmo olhar. Quando finalmente ele ocorreu, ela nos disse: “Papai e mamãe, vocês moram aqui no meu coração”.
É por isso que guardo com tanto carinho o dia da família. Foi a primeira vez que, mesmo sem saber falar, a minha filha demonstrou uma pontinha da criança maravilhosa que ela é.
Já sonhei uma ou duas vezes com aquele momento. Suspeito que vou sonhar outras vezes durante a minha vida. Naquele dia, não sei se cantamos bem. Mas se não cantamos, pelo menos ficamos encantados. Valeu à pena!

Autor: Pai desafinado
Tel.: 3279 3255 / 3227 9607