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Esta
escola é construtivista ?
Éramos freqüentemente questionados dessa maneira
naqueles primeiros anos de funcionamento da Coopen. Na década
de 90, o construtivismo piagetiano ultrapassara as discussões
acadêmicas e chegara às páginas dos jornais.
Alardeava-se o surgimento de novas teorias pedagógicas
baseadas nas pesquisas sobre o desenvolvimento cognitivo que,
a bem da verdade, remontavam às primeiras décadas
do século XX.Os pais, mesmo desconhecendo a profundidade
do debate em torno do tema, queriam saber se a escola acompanhava
os avanços conquistados pela ciência.
Pedagogia de
Projetos ou Pedagogia do Diálogo ?
Desde a fundação da escola, acreditamos na necessidade
de promover a construção de significados para
o conhecimento: aprendemos aquilo que se conecta com nossos
interesses, em alguma instância. Esse ponto de partida
nos remete à importância do diálogo na
relação educativa. Somente por esse exercício,
podemos captar do grupo aquilo que é mais significativo
em um determinado momento. O exercício do diálogo
coloca inúmeros desafios. Quando os alunos são
convidados a manifestar suas idéias, apresentam questões
bastante diversificadas e, às vezes, os interesses
de uns conflitam com os interesses de outros. Como chegar
a um programa de estudos destinado a todo o grupo? Há
de haver uma definição de critérios e
o conseqüente estabelecimento de prioridades para se
definir o que estudar. Precisamos, então, nos perguntar:
A análise da situação é realizada
coletivamente entre o professor, seus pares e a coordenação.
Dessa análise vão surgindo os primeiros elementos
de um plano de ação. Esse plano de ação
é construído também junto com a turma:
definem-se as questões de fundo, o conteúdo
a se estudar, o que produzir a partir desse estudo, como avaliar
o processo, etc.
Que questões são as mais importantes para aquele grupo naquele momento?
O debate entre linhas de pesquisa que pretendem esclarecer como os indivíduos aprendem, fornece "ferramentas" que auxiliam o professor na coordenação dos trabalhos e na avaliação do desempenho dos alunos. As linhas da psicologia cognitiva não constituem o eixo do trabalho, mas são referências para a análise de nosso percurso. Por isso, não somos uma escola apenas construtivista.
Pedagogia do Diálogo
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Na segunda metade da década de 90, a pedagogia de projetos alcançou o topo da popularidade em nossa sociedade, tornando-se assunto obrigatório no meio escolar.
A imprensa encarregou-se novamente de anunciar que novidades estavam acontecendo e, mais uma vez, nos recusamos a assumir a bandeira do momento. Quando uma teoria complexa se dissemina, ela tende a ser reduzida, mal interpretada, confundida . |
Sob o rótulo de "pedagogia de projetos" abrigam-se propostas as mais divergentes, para não dizer contraditórias. Contudo há uma corrente da pedagogia de projetos com a qual nos identificamos bastante, expressa, especialmente, nos trabalhos desenvolvidos por Fernando Hernandez e colaboradores. Hernandez conseguiu teorizar de maneira consistente uma proposta pedagógica que promove o diálogo com os indivíduos, com os movimentos sociais mais amplos e com as questões com as quais os seres humanos vêm se debatendo e produzindo Ciência. De nossa escolha, chamaríamos o que procuramos fazer de Pedagogia do Diálogo.
Esse diálogo tem espaço reservado nas rodas de conversa ou nas assembléias de turma. Ali surgem questões mais gerais e perenes, próprias de todos os seres humanos quando nos propomos a pensar sobre nossa origem e os significados da vida. Surgem também questões que emergem da prática social, que expressam os interesses do lugar social que cada um ocupa. Surgem, ainda, questões mais circunstanciais, problemas que desafiam a sociedade naquele momento. Organizamos nossos projetos a partir das análises que fazemos desses diálogos.
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