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Atualidades no Ensino de 5ª a 8ª série
Há muitos anos que o tema das atualidades vem sendo um objeto de estudo e análise no Ensino Médio e, principalmente, nos pré-vestibulares em geral. Assim tem sido, por que as provas dos principais vestibulares do país, cada vez mais, contemplam essa temática em suas questões, normalmente inserida nos exames de Geografia e História, exigindo dos candidatos conhecimento sobre a realidade contemporânea. A exploração desse campo de conhecimento requer do aluno e dos professores uma forma específica de estudo e didática, distinguindo-a, em parte, da forma exigida pelas disciplinas tradicionais, desde que a mídia (todas as espécies de jornais, revistas, internet, documentários, etc.), de uma forma geral, torna-se a fonte principal, tomando o lugar dos livros didáticos/para-didáticos ou associando-se a eles.
Essa tendência, ainda que pese o estéril mecanicismo imposto aos candidatos pelo trauma do vestibular, deve ser vista como muito positiva, posto que ela faz com que os alunos se habituem ao manuseio do jornal, percebam e comparem visões divergentes e posicionamentos políticos de cada veículo, o que se traduz num contato do aluno com a realidade imediata e presente, proporcionando a construção mais viva de significados, emoções e envolvimentos, isto é, cidadãos mais conscientes da realidade nacional e global, sensíveis a questões políticas e sociais. Sobretudo, a exploração das atualidades enseja, devido a sua própria natureza, a multidisciplinaridade: num tema como o conflito entre israelenses e árabes, por exemplo, podemos acionar uma miríade de saberes, tais como história, geografia, religião, política, ética, diplomacia, ciência e tecnologia. E as disciplinas se diversificam e interagem nas mais diversas composições, conforme a atualidade tratada.
Dito isso, fez-se necessário levar aos alunos do Ensino Fundamental esse veio de conhecimentos. É com esse espírito que venho trabalhando com os alunos da Oficina de Atualidades. Inventada recentemente, colho os primeiros frutos. Os alunos escolhem um tema de sua preferência (Terrorismo, Nanotecnologia, Tráfico de órgãos, PCC/Sistema Carcerário, Computação, Tecnologia Espacial, Crises Sociais, Guerra árabe-israelense, Geopolítica, conforme a turma em curso) e criam para ele um dossiê, investigando e acompanhando a sua evolução na mídia. Para além dos ganhos e possibilidades acima discorridos, esse empreendimento deve fazer com que os alunos criem uma autonomia e uma crítica no que tange ao trabalho de “caça” às fontes. Não se deve deixar que os alunos se tornem totalmente dependentes das fontes que o professor os oferece, mas deve-se ensiná-los e estimulá-los a “caçá-las” eles próprios, compreendendo e dando sentido à massa de informações veiculadas pelos jornais impressos e televisivos, revistas, documentários, internet e oralidade autorizada. Esta é uma das habilidades do ofício do investigador/pesquisador, que na Coopen o aluno tem sido estimulado a se tornar.
Daniel Barbosa dos Santos
Professor de História da 5ª à 8ª série do Ensino Fundamental
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