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Escola
Coopen BH e os desafios da modernidade.
Adriane de Oliveira e Silva
Se eu perguntar a vocês quais são os principais
objetivos da escola nos dias de hoje, com certeza ouviríamos
opiniões diferentes e teríamos um polêmico
debate em torno dessa questão, que hoje nos é
colocada pela sociedade.
Alguns de vocês , com certeza, me responderiam que
o principal objetivo da escola, seria o de desenvolver um
processo de ensino – aprendizagem, de tal forma que
os alunos aprendam com eficiência os conhecimentos considerados
socialmente necessários. Creio que seria consenso entre
todos nós aceitarmos tal resposta. Porém, caberia
aqui uma nova questão: - que conhecimentos socialmente
necessários, seriam esses? Tentarei agora refletir
com vocês sobre um dos desafios, colocados pela sociedade,
a nós educadores, e a vocês pais, que nos confiam
a educação de seus filhos.
Uma mudança cultural, em curso há aproximadamente
meio século, vem transferindo para a escola a formação
ética e moral das crianças e jovens, que antes
era dada pela família.
Nas últimas décadas, nossa sociedade vem passando
por mudanças que tem interferido nas relações
familiares. Os pais já não têm tempo para
conviver com seus filhos, deixando de estabelecer limites
e ou possibilidades, não mais definindo o que é
certo ou o que é errado, produzindo nas crianças
e jovens uma ampla dificuldade de relacionamento.
Outro aspecto a ser observado é a crise ética
do nosso país. Abaladas por ela, as famílias
foram afetadas negativamente. A idéia de que para se
dar bem no Brasil é preciso ser no mínimo “esperto”,
tem gerado uma inversão de valores. Dessa forma, a
família que é espaço de vida, célula
estruturante da relação do jovem com o mundo,
grupo afetivo do qual uma das principais funções
é educar, se encontra em dificuldades de exercer a
sua função. Por outro lado, a escola também
enfrenta os seus medos. Muitos educadores ainda relutam em
incluir em seus currículos, uma educação
voltada para a formação humana, que deveria
ter em seu cerne o investimento nos indivíduos, no
sentido de incentiva-los a aproveitar o que carregam de positivo.
Desenvolvem uma política de exclusão dos indesejáveis,
fugindo ao compromisso de assumir uma parte desse desafio
social. Portanto, cabe à escola, que durante essas
últimas décadas vem apenas adotando a política
de bombeiros - apagando os incêndios causados pela anomia
moral da atual sociedade- , uma responsabilidade maior: a
de educar eticamente, desenvolvendo uma política de
inclusão, voltada para a formação na
cidadania.
Durkheim , sociólogo francês, nascido 1858,
que muito contribuiu para a reflexão sobre a formação
do ser social , defendia a idéia de que a principal
função do professor é a de formar cidadãos
capazes de contribuir para a harmonia social. Criou o conceito
de solidariedade como coerência entre crenças
e ações e defendia a idéia de que os
professores deveriam ensinar o aluno a fazer parte de um espaço
que é público.
Sob esse ponto de vista , necessário se faz encarar
a ação educativa, não como uma atividade
neutra, a serviço de uma humanidade também abstrata,
mas como uma atividade política,que persegue objetivos
e propósitos bastante definidos.Assim, se outrora,
prioritariamente, era reservado à escola a tarefa de
formalizar o conhecimento desenvolvido e acumulado pela sociedade,
hoje nos deparamos com uma importante questão:como
as famílias e a escola , responsáveis pela formação
da criança e do jovem, enfrentarão esse desafio
social?
Compreender melhor as relações da criança
com o saber e repensar as intervenções da escola
na tarefa de construção desse saber, serão
nossos próximos objetivos.
A relação do aluno com o saber
Todo ser humano aprende. Bernard Charlot,educador francês,
nos diz que a construção do saber , se dá
através de múltiplas relações.
Trataremos aqui apenas de duas delas: relação
do sujeito com o seu mundo interior, e a relação
do sujeito com o mundo social .
A relação do aprendiz com o seu mundo, apresenta
uma dimensão de identidade: está em jogo a construção
de si mesmo,a história do sujeito, as suas expectativas
, as suas referências, a imagem que tem de si e a que
quer dar de si aos outros. Todos nós aprendemos para
conquistar nossa independência e para sermos aceitos
socialmente. Com as crianças e com os adolescentes,
não é diferente. Sabe-se que o sucesso escolar
produz um importante efeito de segurança e auto estima.
Sabe-se também, que o fracasso causa efeitos destrutivos
na relação consigo mesmo.
Há também uma relação com o
outro, com o mundo social e apresenta uma dimensão
relacional. Esse outro, é aquele que ensina matemática,
que define suas formas de ensinar, que faz a revisão
do seu texto, que problematiza suas questões, que o
avalia etc... Assim, aprender sempre será uma relação
com o outro, numa interação com o mundo.
Portanto, se faz necessário lembrar, que esse amplo
mundo, composto pelo EU e o OUTRO , é aquele em que
a criança vive , um mundo desigual, estruturado por
relações sociais, e que por vezes facilita o
processo de aprendizagem do aluno, e por vezes dificulta.
A escola por sua vez não leva em conta essas diversidades,
mostrando-se resistente a compreender que as crianças
e os adolescentes tem histórias diferentes e portanto,
formas de aprender a apropriar o mundo , também diferentes.
Faremos agora uma reflexão sobre como temos, na Coopen,
organizado o nosso trabalho , na tentativa de contribuir com
a formação dos nossos alunos
Escola dos valores humanos
Inicialmente é preciso compreender o que é
“educar para cidadania”.O ser humano é
essencialmente interativo. Para que possamos interagir bem,
temos que ter construído um conjunto de valores que
correspondem a busca de uma vida bem sucedida, à realização
de projetos e ações que orientam à felicidade.Portanto,
uma educação para a cidadania implica na busca
da arte de viver bem, que interroga-nos não apenas
sobre o como viver, mas também sobre ”quem sou
eu”?, ou ’’quem eu quero ser”?, na
tentativa de compreender a se mesmo e ao outro. Esse movimento,
propicia a formação de cidadãos críticos,
participativos, e respeitosos.Mas esta tarefa não é
simples, nem para a escola e nem para as famílias.
Desta maneira , cabe às escolas:
- Organizar discussões sobre os valores humanos no
seu currículo;
- Analisar os conflitos cotidianos;
- Procurar uma proximidade com os problemas sociais;
- Investigar noções de humildade, coragem, prudência
e justiça,contextualizando-as nas situações
diárias da escola.
- Revitalizar a confiança da família no seu
papel de formadora, envolvendo-a cada vez mais no processo
educativo;
- Explicitar e discutir regras de funcionamento e as propostas
de intervenção.
Cabe às famílias:
- Dedicar tempo ao encontro e diálogo entre seus membros;
- Tomar conhecimento da situação do filho na
escola;
- Apoiar ações acordadas com os educadores,
referendando tais acordos em casa e cobrando do filho o cumprimento
dos combinados;
- Colaborar com as promoções da escola no sentido
de aproximar os alunos do mundo dos adultos e suas relações
sociais, em especial, da luta travada em favor da sobrevivência
e da humanização.
Algumas ações desenvolvidas e propostas
por nós:
- Ritualização dos momentos de reflexão
sobre as ações dos alunos e dos professores,
através de encontros sistemáticos que denominamos
Assembléias.
- Organização e desenvolvimento do projeto Pais
Mostram o que Fazem.
- Discussão e estabelecimento de regras de funcionamento
e convivência;
- Diálogo constante e individual com alunos para análise
de atitudes e estabelecimento de metas a serem atingidas;
- Diálogo com os pais de alunos que demonstram a necessidade
de um atendimento mais específico;
- Promoção de encontros coletivos e sistemáticos
de professores, visando a análise da situação
e das especificidades de cada turma;
- Promoção de eventos que envolvem o corpo docente
e os alunos em atividades extra-escolares: exposições,
excursões, viagens, festas, etc.
- Incentivo a constituição do grêmio escolar.
ESCOLA DO CONHECIMENTO:
A ORGANIZAÇÃO DO CURRÍCULO
OS PROJETOS DE PESQUISA E OS PROGRAMAS DE ENSINO.
Os novos parâmetros nacionais curriculares que são
resultados de intensas discussões no Brasil e no mundo
sobre as relações de ensino e aprendizagem,
propõem uma escola que tem como objetivo a construção
de interações sócio - culturais.
Desse ponto de vista, a escola deve ser um âmbito de
intercâmbio, no qual alunos e professores participam
e transformam em aprendizagem as experiências sociais.
Diante de todas essas questões colocadas aqui, nos
propomos a promover a construção de significados
para o conhecimento. Sabemos que aprendemos melhor aquilo
que se aproxima, em alguma instância, com nossos interesses.
Na organização do trabalho diário da
escola, o conhecimento outrora fragmentado e apresentado aos
alunos pôr disciplinas, e que pouco tem a ver com as
interpretações do mundo, deve ser organizado
de forma que os alunos possam relacionar a importância
da busca de um conhecimento compreensivo com seu percurso
individual, com seu projeto de trabalho.
Essa postura possibilitará que os alunos se construam
como sujeitos, pois estabelecerão na escola relações
com o conhecimento que possa ter importância para eles.
Para tanto, devemos valorizar a palavra do aluno e priorizar
o diálogo e a interpretação do que acontece
em sala de aula.
Desde muito cedo, os alunos devem ser levados a fazer pesquisa.
Além de buscarem respostas para suas questões,
devemos ter como intenção que os alunos façam
perguntas, construam dúvidas, expressem seus conhecimentos.
Assim , organizamos dois eixos que norteiam a construção
do nosso currículo:
Programas de ensino
Envolve as áreas de língua portuguesa, matemática,
língua inglesa e história da arte , sendo que:
- A escolha dos assuntos é da competência do
professor;
- Relação com parâmetros curriculares
nacionais;
- Conteúdos explicitados pelo professor com apoio do
livro didático e da ficha de avaliação;
- Os conteúdos definidos podem resultar em pesquisas
e empreendimentos.
Projetos de trabalho
Através desta metodologia de ensino, trabalhamos as
áreas do ensino de ciências , história
e geografia.
- A definição das questões mais importantes
e conseqüente escolha dos temas é realizada através
de debates com a participação da turma e do
professor;
- Ao professor cabe a coordenação do debate
e a orientação na condução dos
trabalhos (na organização do projeto);
- A pasta de pesquisa é o instrumento básico
de organização do material didático individual,
pertinente ao projeto;
- Livros para-didáticos podem ser adotados;
- Junto com os alunos, o professor define os produtos resultantes
do projeto, a metodologia e instrumentos de avaliação.
Assim temos uma cultura na escola que leva em conta:
A abertura para os conhecimentos e problemas que circulam
no mundo e que constituem objeto de análise e pesquisa;
- A importância da atitude de escuta, no sentido de
valorizar a palavra do aluno e compreender que também
aprendemos com o que os outros dizem;
- O papel do professor como facilitador e organizador da relação
dos alunos com o conhecimento.
- A importância da relação com a informação,
no sentido de criar contrastes de pontos de vista e utilizar
linguagens diversas.
Finalizando, acredito que nós, educadores, pouco poderemos
avançar no nosso projeto educativo, se não tivermos
vocês , pais dos nossos alunos, como parceiros de trabalho.
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