|
Artigos
Neologismos
e variações populares através de Guimarães
Rosa
Na comemoração dos 50 anos do
romance Grande Sertão Veredas a turma da 3ª série
desvenda e explora os segredos da obra de João Guimarães
Rosa.
O trabalho com o livro, Primeiras Estórias
iniciou-se com uma 1ª pesquisa biográfica sobre
o autor em casa. Em seguida, os alunos socializaram suas pesquisas
em pequenos grupos, em que apareceram várias descobertas,
dentre elas as que:
“João Guimarães Rosa nasceu
em 27 de junho de 1908 em Cordisburgo. Formou-se em medicina,
mas quando viu um paciente morrer não quis mais exercer
a profissão. Inicia-se então sua carreira diplomata
tendo servido na Alemanha, Colômbia e França.
Estudou no Colégio Candinho, Grupo Escolar
Afonso Pena, em Belo Horizonte, Colégio Santo Antônio
em São João Del Rei e Colégio Arnaldo
em Belo Horizonte. Começa estudar francês. Ao
longo da vida, Guimarães Rosa aprende também
inglês, alemão, húngaro, holandês,
chinês, russo e romeno, entre outras línguas.
Na obra de Guimarães Rosa, o sertão
não se limita ao espaço geográfico, mas
simboliza o próprio universo.
O sertão criado por Guimarães Rosa
é uma realidade geográfica, social, política,
mas também é uma realidade psicológica
e metafísica. Nesse espaço (sertão-mundo),
o sertanejo não é apenas o homem de uma região
e de uma época específica, mas homem universal
defrontando-se com problemas externos: o bem e o mal, o amor
e o ódio, a violência e a serenidade, entre outros.
As crianças ao escutarem o conto, A terceira
margem do rio, do livro Primeiras Estórias, perceberam
os conflitos do homem, defrontando-se com seus problemas e
inquietações e se perguntavam: -esta estória
é real ou apenas uma invenção de Guimarães?
– a terceira margem do rio é a canoa, que virou
a terra do homem, sua margem...; - porque ele decidiu viver
tão só?
Várias foram as palavras desconhecidas
desse universo roseano, o que aguçou ainda mais a curiosidade
da turma. A nova língua de Rosa trazia neologismos
que fascinaram as crianças. Verbetes como: acãoacado
– acuado por cães, adormorrer – morrer
dormindo; etc, ganharam significado e começaram a fazer
parte do próprio universo das crianças. Fato
este acontecido durante uma avaliativa, em que o aluno, Lucas
Viega, debruçado sobre sua produção textual
diz: “estou acabaçado”.
Rosa possui um estilo peculiar que é próprio
dele. E é isso que a turma gostaria de mostrar na Noite
Roseniana: um pouco dos experimentos lingüísticos,
de sua arte, seu mundo ficcional. Mas o grupo mostrará
apenas um pouco do lingüísticos.
Uma das falas de Guimarães Rosa traduz
bem o trabalho da 3ª série:
“Quando escrevo, repito o que já
vivi antes. E para estas duas vidas, um léxico só
não é suficiente. Em outras palavras gostaria
de ser um crocodilo vivendo no rios Rio Francisco. Gostaria
de ser um crocodilo porque amo os grandes São, pois
é profundo como a alma de um homem...’’
A turma indica o livro: o léxico de Guimarães
Rosa (EDUSP), de Nilce Sant`anna Martins.
Carla,
professora da 3 série do ensino fundamental
|