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O Significado do desenho: Os vários olhares do educador
Ao longo de séculos, desde tempos muito antigos, os seres humanos têm utilizado o desenho, a pintura, a escultura, a colagem como forma de expressão e de conhecimento do mundo que os cerca, como força criativa e como representação de práticas culturais.
Os rabiscos constituem-se como as primeiras manifestações da arte da criança. A partir deles, ela descobre que pode produzir movimentos e traços, inaugurando seu poder de expressão de idéias, sentimentos e autorias.
Através dessa ação criadora, a criança constrói, continuamente, hipóteses originais sobre a realidade no seu encontro com o mundo. A arte do desenho não é uma cópia da realidade e sim a expressão da sabedoria da criança.
Ao observarmos esses desenhos, podemos aprender sobre as habilidades que a criança possui: desenhar implica defrontar-se com questões técnicas, estéticas, geométricas, espaciais e de sensibilidade, que se encontram na superfície do papel. Segundo Viktor Lowenfeld em seu livro “A Criança e sua Arte”, ao observarmos os desenhos da criança, é possível notar uma evolução lógica, com características semelhantes em idades próximas.
A análise e conhecimento sobre a relação entre pensamento e desenho e suas fases evolutivas, atrelada à importante análise do desenho como expressão dos sentimentos e idéias – o desenho como linguagem – trazem elementos para que o educador reflita sobre suas intervenções diante das propostas de produção. Torna-se necessário também, o reconhecimento de que os desenhos representam símbolos da cultura de um povo, valores e formas da vida social das comunidades.
Só se aprende a desenhar, desenhando. O ato de criar proporciona o pensamento independente, a flexibilidade, a inventividade, traduzindo na criança um algo a mais, que pode ser entendido como alegria, felicidade, desabafo. Monique Deheinzelin, em “O Professor da Pré-escola” – vol 1, alerta-nos para o principal objetivo do ensino-aprendizagem do desenho na escola: o de favorecer o percurso criador dos alunos, privilegiando os processos de realização do desenho e não apenas o seu produto final. Nesse processo de criação, quatro aspectos devem ser considerados pelo professor:
As atividades de desenho se organizam a partir de um planejamento pedagógico. Tanto nas atividades livres (que são aquelas em que os alunos escolhem os materiais e temas) quanto nas atividades mais fechadas (onde o professor propõe os suportes, temas e estratégias) é importante a clareza do professor no que se refere ao objetivo da tarefa;
Possibilitar as atividades livres – espontâneas, ao desenhar.
Elas são importantes para o movimento de criação e experimentação do aluno. Nessas atividades as crianças escolhem o quê e como querem desenhar.
É importante o equilíbrio entre as atividades mais abertas e as mais dirigidas, pois é na atividade espontânea que a criança pode fazer uso das conquistas realizadas e assim amplia-las.
c) As estratégias de ensino do desenho.
São aquelas atividades organizadas pelo professor com um objetivo definido. Levar a criança a refletir sobre o seu próprio traçado, organizando mentalmente e no papel a distribuição do espaço na folha, a relação entre figuras, a observação das formas, a percepção dos ângulos e retas, é um importante exercício para a ampliação da capacidade de desenhar. A observação dos seus próprios desenhos e os dos colegas, em situações de troca e uso de bons modelos, é também uma conduta importante no processo de ensino-aprendizagem do desenho.
Desenhar uma flor, o seu próprio retrato, a escola vista de fora, a cidade em uma fotografia, são exemplos de estratégias descritas com sucesso pelos educadores da Cooperativa de Ensino. Nessas atividades, o objetivo é dar elementos que sejam estruturantes para a construção individual do desenho.
d) Desenvolver a prática de apreciação de obras de arte.
Levar as crianças a museus, exposições, promover a leitura
prazerosa de livros que contêm obras de artistas, são condutas que desenvolvem as impressões, percepções e sentimentos que ocorrem ao entrarmos em contato com a arte produzida pelos homens ao longo de sua história.
Luquet – em seu livro “O Desenho Infantil” – nos diz que um desenho é a obra da criança, produto e manifestação da sua atividade criadora, e que o exercício dessa atividade é acompanhado de um grande prazer.
Finalizando, acreditamos que a apreciação de desenhos de crianças e adolescentes, além de muito contribuir para a reflexão sobre a prática do desenho na escola, serve como material de apreciação e deleite para a sociedade. A produção artística das crianças pertence ao patrimônio de uma comunidade e como tal deve ser admirada por todos.
Adriane de Oliveira e Silva,
Coordenadora pedagógica do ensino fundamental I
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