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Só para Mulheres
A escola é um espaço privilegiado de convivência social. Por isso, fica evidente para os educadores a necessidade de caminhar para além dos conteúdos formais e de incentivar a argumentação.
A experiência tem me mostrado que este lugar privilegiado deve acolher as demandas afetivas dos sujeitos implicados nele.
O dia-a-dia na escola me permite observar e acompanhar a formação dos grupos e as dinâmicas estabelecidas por eles. Com base nessas observações, há alguns anos tenho feito intervenções com grupos de alunos, na expectativa de melhorar a convivência entre os mesmos.
Dentre todos os tipos de demandas, uma tem se mostrado mais constante. Trata-se de uma vivencia com alunas, pré-adolescentes e adolescentes, do turno da manhã. O momento de transição vivido por elas, aponta para algo fundamental: as trocas afetivas, tão intensas, profundas e prazerosas. Mas por ser esse um tempo particularmente superlativo na vida de qualquer jovem, os conflitos são inevitáveis e recorrentes. Quando esses conflitos emergem, a dinâmica estabelecida por elas acarreta quebra de pactos de confiança, exclusões e isolamentos, fatores que acabam por fragilizar o vínculo coletivo, primordial para o processo pedagógico e para a conquista do viver bem.....
Para enfrentar essa questão, estabelecemos encontros periódicos, que chamamos de “só para mulheres”, onde as meninas podem compartilhar seus sentimentos, angústias e medos diante do mundo novo que se anuncia. O que se pretende é fazer com que esses vínculos coletivos sejam preservados, na medida em que o compartilhamento das questões individuais provoca nos demais participantes do grupo uma identificação projetiva, um sentimento de pertencimento que cria laços de solidariedade.
O que me assegura da pertinência dessas intervenções na escola? O retorno positivo representado por uma dinâmica mais saudável em sala de aula, o desejo dessas meninas de prosseguir com as reuniões “só para mulheres” e a minha emoção em conhecê-las.
Valéria Iglésias
Diretora da Coopen
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